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Dislexia e a Internet

Para criar uma página acessível e perceptível a disléxicos (“dyslexic-friendly”) é necessário considerar os seguintes grupos:

Disléxicos que utilizam software de leitura nos seus computadores:
Muitos disléxicos dependem de computadores para lhes“ler” os textos. As páginas de um site, por exemplo, deverão ser compatíveis com a maior parte do software de leitura existente. A informação mais importante deverá estar sob a forma de texto, isto porque os computadores não interpretam imagens e gráficos.

Disléxicos que necessitam de gráficos claros:
Outros disléxicos, que lêem o site por si mesmos, apreciarão gráficos claros, simples e objectivos. Texto em movimento, fontes variadas, sons ou animações e fundos texturados ou com padrões dificultarão a leitura e a concentração.

Retirado de: www.educamais.com

Reeducadora de dislexia vence Prémio da Fundação Marie Curie

"Ariana Ferreira Loff, jovem investigadora e reeducadora da Unidade de Dislexia da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), venceu o concurso internacional “Marie Curie Early Stage Researcher”, entre centenas de concorrentes de toda a União Europeia.

Atribuído pela Fundação Marie Curie, em Clermond-Ferrand, Franca, este prémio traduz-se na atribuição de uma bolsa para o seu doutoramento, ao longo de três anos, num posto de investigação da Universidade de York, sob a direcção de Margaret Snowling, uma figura prestigiadíssima internacionalmente na investigação da dislexia.

O centro de investigação daquela Universidade inglesa é considerado um dos melhores centros de excelência do mundo no estudo dos processos cognitivo-linguísticos envolvidos na dislexia.

A investigadora, que é também ex-aluna UTAD, apresentou ao concurso um projecto de investigação integrado numa rede de estudo científico sobre desenvolvimento da literacia (ELDEL – enhancing literacy development in european languages).

Refira-se que a Unidade de Dislexia da UTAD foi criada em 2005 e funciona no Departamento de Educação e Psicologia, sob a direcção científica e técnica de Ana Paula Vale, docente.

É um Serviço de Extensão da Universidade, cujo objectivo principal é realizar diagnóstico e reeducação de dificuldades de aprendizagem da leitura/escrita e dislexia, assim como outras condições associadas, tais como, perturbações da linguagem, discalculia, défice de atenção."

Dislexia e Provas no Brasil

"Darby Lima já tinha repetido a quarta série e continuava colecionando notas vermelhas. As broncas do pai não adiantavam. O menino estudava, mas nas provas respondia o que não era perguntado e era incapaz de prestar atenção nas aulas. Já no Ensino Médio, ouviu uma professora dizer que “aquele aluno não vai chegar longe, não”. “Me sentia burro”, diz Darby, 26, hoje no oitavo semestre da Universidade de Brasília (UnB) e há dez anos diagnosticado como portador de dislexia.

Os cientistas ainda não sabem, ao certo, a causa do distúrbio, mas estimam que ele atinja entre 5 e 15% da população mundial – entre eles, personalidades como Albert Einstein, Pablo Picasso e Tom Cruise. O portador costuma embaralhar letras e números de formatos ou sons semelhantes (trocar vaca e faca, por exemplo, ou confundir b e d).

A dislexia afecta principalmente a capacidade de ler, escrever e se concentrar, mas não interfere no raciocínio lógico, nem nas habilidades artísticas. A memória também pode ser afetada. Mas apesar das dificuldades com ortografia, redação e línguas, os disléxicos podem ter desempenho satisfatório em ciências, exatas ou artes.

“O disléxico é uma pessoa inteligente, mas tem extrema dificuldade de pôr o que sabe no papel ou interpretar textos escritos. Vai mal nas provas, mesmo que tenha todas as respostas na ponta da língua, e muitas vezes é tratado como preguiçoso ou indisciplinado”, explica Maria Angela Nico, coordenadora científica da Associação Brasileira de Dislexia (ABD).

Provavelmente hereditária, a dislexia não é considerada doença, nem tem cura. “É preciso aprender a conviver com ela e criar estratégias para compensar as limitações”, diz Maria Angela.

Com acompanhamento de psicólogos, psicopedagogos e neurologista, Darby aprendeu a se concentrar e melhorou o rendimento na escola. Na quarta tentativa, foi aprovado no vestibular de Geologia da UnB.

“Na época, não sabia que tínhamos direitos especiais nas provas”, diz o universitário. Apesar de não ser obrigatório por lei, os principais vestibulares oferecem condições especiais para os disléxicos fazer o exame.

Para ter direito a isso, é necessário apresentar laudo médico que confirme o diagnóstico de dislexia. “Muitas vezes o distúrbio é confundido com problemas de visão, de audição ou déficit de atenção”, diz Maria Angela.

O diagnóstico e o tratamento são complexos e exigem equipes multidisciplinares – normalmente, formadas por neurologistas, pedagogos, fonoaudiólogos, psicólogos e oftalmologistas. Pessoas de baixa renda podem fazê-lo gratuitamente em ONGs e associações de apoio ao disléxico, como a ABD."   

Fonte: Guia do Estudante 

5,4 % das crianças portuguesas têm dislexia

"O primeiro estudo sobre a prevalência da dislexia em crianças portuguesas revelou que 5,4 por cento desta faixa etária apresentam este distúrbio patológico de aprendizagem nas áreas da leitura, escrita ou soletração.

Este estudo pioneiro foi realizado pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), sob a coordenação científica de Ana Paula Vale e será apresentado no próximo dia 21 de Janeiro, às 18h00, no auditório do Instituto da Juventude de Vila Real.


Ana Paula Vale, investigadora do Departamento de Educação e Psicologia da UTAD, explicou ao Ciência Hoje que “era necessário ter informação sobre as crianças portuguesas com dislexia e agora podemos afirmar com um grau de certeza confortável que 5,4 por cento é um número que corresponde à realidade.” Trata-se de “uma percentagem equivalente a outras já conhecidas de países com características semelhantes a Portugal”, acrescentou a docente.


A investigadora destacou ainda a esperança de que este estudo traga informação útil a vários níveis, referindo que “há questões que devem ser respondidas nas escolas e não o são. Os professores devem ter noção desta realidade e de que numa turma com 20 alunos, há probabilidade de um deles ser disléxico, pelo que têm de saber lidar com isso”.

Por se tratar de um estudo pioneiro em Portugal, foram adoptados critérios muito específicos para classificar uma criança como tendo dislexia, de forma a não incluir erroneamente neste grupo aquelas que não têm esta patologia. “Em vez de usarmos apenas um ou dois critérios, utilizamos três ou quatro mais restritos”, exemplificou Ana Paula Vale.

Amostra socialmente representativa poderia aumentar valores de dislexia

Neste âmbito, de Maio a Julho de 2008, foram avaliadas 1460 crianças do segundo ao quarto ano de escolaridade, num conjunto de 81 turmas de 23 escolas localizadas nos concelhos de Vila Real e de Braga. Estas crianças foram assim testadas, em salas sossegadas, com rastreios de leitura, consciência fonológica e capacidades cognitivas gerais.

Os investigadores não recolheram informação suficiente para estabelecer percentagens relativas a cada tipo de ambiente sociocultural, ainda que saibam que foram abordados todos os estatutos sociais e que a maioria era oriunda de meios com estatuto sociocultural intermédio.

Contudo, tendo em conta que os grupos sociais mais desfavorecidos representam 49 por cento da população portuguesa e são associados a prevalências mais elevadas de défices na aprendizagem da leitura, os investigadores acreditam que numa amostra socialmente representativa as taxas apresentadas sofreriam um aumento.

Esta investigação foi financiada pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) e engloba-se num estudo mais amplo sobre dislexia realizado por uma equipa de investigadores coordenada por Ana Paula Vale."

Fonte: cienciahoje

Distúrbios neurológicos - Jornal Hoje - 28.08.2006

"Essas mães estavam à beira de um ataque de nervos. “Não fazia trabalho, o caderno dele vinha em branco. Às vezes eu até ficava chateada porque ia na reunião e o assunto era só ele”, contou Valéria Morim da Silva, manicure. A bagunça tinha explicação médica: os meninos sofriam de hiperatividade e dislexia, que é quando a criança tem uma grande dificuldade para ler e escrever. Segundo a Organização Mundial de Saúde, são vários os problemas que podem causar dificuldades na sala de aula - 5% das crianças sofrem de déficit de atenção e hiperatividade, 2% delas têm depressão, 4% ansiedade e 16% têm transtornos de aprendizagem, como a dislexia.
Todos esses transtornos têm tratamento. Seja com um psicólogo, um pedagogo ou mesmo com remédios, dá pra melhorar bastante o desempenho das crianças na escola. A grande dificuldade é fazer o diagnóstico.
“Nós temos testes específicos, que são os testes neuropsicológicos, que podem avaliar isso de forma correta. Exatamente integrar escola e saúde“, explicou o psiquiatra Fábio Barbirato.
Caio e Wendel estão em tratamento há cinco meses e a melhora já aparece no boletim. “Agora eu estou fazendo o dever, não fico mais de castigo”, disse Wendel Morim, de 8 anos."

Lidando com a dislexia - Jornal Hoje - 04.10.2007

"Nicole Cecim, de 10 anos, já cansou de ouvir ofensas dos amigos, e até de professores. “Já disseram que eu sou preguiçosa, que não me esforço”, conta.
A menina tem dislexia, um distúrbio que prejudica o aprendizado. A criança com dislexia tem dificuldades para ler, escrever e interpretar textos, e também para memorizar.
O diagnóstico de Nicole foi feito na Associação Brasileira de Dislexia. A psicóloga Mônica Bianchini explica que o distúrbio é hereditário, e que não é uma doença. “A dislexia é uma disfunção neurológica: a informação faz um caminho mais longo e demora um pouco mais para se processada”, explica.
A associação estima que 10% da população brasileira sofre de dislexia, e o importante, nestes casos, é fazer o diagnóstico precoce.
Um colégio de São Paulo tem tradição no atendimento a alunos com o distúrbio. Na quarta série, algumas crianças ainda penam para escrever. “Acréscimos de letras, trocas, inversões e omissões de letras podem caracterizar essa dificuldade”, diz o orientador educacional, Mario Angelo Braggio.
Na escola, os educadores respeitam o ritmo de aprendizagem dos alunos com dislexia. Eles recebem uma atenção especial do professor; muitos sentam na primeira fila. Nas provas, esses estudantes podem usar os livros para consultar conteúdos; para resolver um problema de matemática, a tabuada e a calculadora estão liberadas.
“Nós utilizamos também outros recursos, como gravuras, desenhos, materiais pedagógicos. Sem o auxílio desses instrumentos, o aluno vai ter dificuldade de se expressas”, acrescenta a orientadora pedagógica Regina Rodrigues Miguel.
Esse distúrbio começa a ser identificado entre os 7 e os 14 anos, quando as crianças começam a apresentar problemas na escola."

Alunos com dislexia ficaram sem apoios - JN 20.05.2009

"A grande maioria dos alunos com dislexia está sem apoios especiais de educação. Um decreto-lei do ano passado só inclui os casos muito graves, o que está a deixar os pais preocupados, sobretudo, em época de exames nacionais.
Os encarregados de educação de crianças e jovens disléxicos estão agora a confrontar-se com os efeitos de uma alteração à lei do ensino especial do ano passado. A dislexia saiu da lista de doenças que motivam necessidades educativas especiais, de forma automática, como acontecia. A dislexia afecta cerca de 50 mil menores e, segundo a Associação Portuguesa de Dislexia, cerca de 5 mil farão exames nacionais do 9.º ano como se não tivessem qualquer limitação.
Uma encarregada de educação do Algarve, por exemplo, atravessou um mar de burocracia até conseguir um relatório psicológico que comprova a dislexia diagnosticada ao seu filho, logo no primeiro ciclo do ensino básico. O jovem, que frequenta agora o 12.º ano, teve apoio ao longo de todos estes anos, vendo-se agora privado dele.
Num requerimento enviado ao Ministério da Educação, e que ainda não obteve resposta, pede que, pelo menos, seja atribuído ao jovem um júri especial para os exames nacionais do 12.º ano que terá de realizar no final do ano lectivo.
"Até aqui, as crianças disléxicas tinham direito automático a esses júris, nos exames nacionais. E um apoio ao longo do ano, como aulas particulares de reforço. Para além disso, na avaliação das crianças disléxicas, os erros ortográficos (uma das principais características da dislexia), não eram levados em conta e era-lhes facultado mais tempo para a realização da prova", disse ao JN.
Helena Serra, presidente da Associação Portuguesa de Dislexia, com sede no Porto, explica que o Decreto-lei 3/2008, que alterou as regras relativamente à educação especial, deixa de fora a grande maioria dos alunos disléxicos, uma vez que só inclui "casos muito graves". Em Janeiro, a Associação entregou sugestões ao governo no sentido de incluir no ensino especial todos os jovens com aquela perturbação, mas, segundo Helena Serra, "a postura" do Ministério da Educação não aprece apontar nesse sentido.
Para a presidente da APDIS, é fundamental que todos estes jovens recebam apoio especializado obrigatório, para além de uma adaptação das condições de avaliação à sua situação.
Os alunos do 4.º e 6.º anos do ensino básico estão, esta semana, a realizar as provas nacionais de aferição, sendo que, desta vez, segundo Helena Serra, já não haverá júri especial para avaliar a prestação das crianças com dislexia. "Em muitas escolas, os professores estão a aconselhar os pais destas crianças a não as deixarem fazer a prova", denuncia.
É que, se avaliados pelos mesmos métodos usados para as outras crianças, vão ter resultados que os deixarão "muito diminuídos".
Contactado pelo JN, o gabinete de Imprensa do Ministério da Educação remeteu-nos para uma nota sobre educação especial, emitida em Abril, pelo secretário de Estado Valter Lemos, em resposta a uma crítica da Fenprof sobre o desinvestimento neste tipo de ensino. Valter Lemos rejeita o tal desinvestimento e afirma que "todas as crianças que precisem de apoio serão apoiadas". O secretário de Estado diz mesmo que "se existir alguma criança que não tem apoio, e deva tê-lo, as famílias devem contactar os serviços, a escola, o Ministério da Educação, para conseguir esse apoio".

Aluna disléxica sem tolerância de tempo num exame

"O Sindicato dos Professores da Região Centro (SPRC) lamentou hoje que uma aluna com dislexia de Oliveira de Frades tenha alegadamente sido impedida de utilizar uma tolerância adicional de tempo na realização do exame de Português, sexta-feira.
"Apesar de os pais, os professores e a escola terem instruído todo o processo relativo ao facto de ser disléxica, a aluna não teve mais meia hora. Nesse dia, o professor ligou para o júri nacional do exame e disseram-lhe que este ano não havia esse direito", afirmou à Agência Lusa Francisco Almeida, daquele Sindicato.
O sub-director da escola secundária de Oliveira de Frades, António Paulo, rejeitou que tenha sido negado algum direito à aluna, que está sinalizada como tendo necessidades educativas especiais, contando que "precisou de mais 30 minutos e usou-os, ninguém lhe arrancou o teste".
Explicou à Lusa que "a dislexia não impede os alunos de fazerem os exames nacionais de Português e Matemática, tendo estes direito a uma tolerância de tempo de 30 minutos".
"O despacho 3536/2009, de 28 de Janeiro, veio alargar esse direito a todos os alunos", explicou.
António Paulo disse desconhecer o contacto alegadamente feito entre o professor e o júri e garantiu não ter ainda recebido qualquer queixa dos pais da aluna.
O Sindicato faz uma leitura diferente da legislação.
Francisco Almeida frisou que o decreto-lei nº 3/2008 estabelece que as crianças com necessidades educativas especiais "não podem ficar na mesma situação dos colegas, tem de haver uma discriminação positiva".
Neste âmbito, ainda que o despacho de Janeiro tenha vindo a estender a meia hora de tolerância a todos os alunos, o Sindicato considera que casos como o da aluna da escola de Oliveira de Frades "têm sempre que ter mais tempo".
O dirigente sindical lamentou que o Ministério da Educação não tenha dado instruções sobre esta situação, exemplificando com a Escola Básica 2/3 Grão Vasco (de Viseu), "que instruiu o processo mas até hoje não obteve resposta".
O presidente da Confederação Nacional de Associações de Pais (CONFAP), Albino Almeida, disse à Lusa que actualmente "todos os alunos têm direito a esta meia hora, ainda que sejam os alunos com dislexia que mais precisam" dela.
"A confirmar-se a veracidade do que foi denunciado, através de uma participação fundamentada dos pais e não do Sindicato, a aluna terá direito a uma nova prova", referiu, lamentando que "o sindicato, que tal como a CONFAP não esteve no local do exame, tenha passado para a comunicação social uma notícia alegadamente falsa".
"O Ministério da Educação divulgou ao início da noite um comunicado onde refere que "estas situações não foram identificadas e os relatos suportaram-se apenas em declarações públicas de dirigentes do SPRC".
Segundo o comunicado, ambas as escolas "declaram que cumpriram integralmente a legislação".
"O júri nacional de exames não recebeu qualquer queixa relacionada com este assunto ou outro qualquer", garante, acrescentando que, no entanto, "sempre que um aluno entender que foi prejudicado na sua prestação, deve apresentar uma reclamação" ao júri e, "se o reclamante tiver razão, fará outra prova".
O Ministério da Educação esclarece ainda que "não está prevista no regulamento de exames a atribuição de qualquer tolerância além da estipulada no despacho 3536/2009, que refere que todos os exames nacionais dos ensinos básico e secundário têm trinta minutos de tolerância".
Fonte: Lusa/Expresso

Cérebro e a leitura

O cérebro dá significado às palavras independentemente da forma como organizamos as letras. 

Aqui fica um exemplo:

Madur a loczalaição das lteras denrto de cdaa pralava não lhe rteira o seu siginafcdio. O nssoo crbéero tem a cuorisa cadpiacade de voatlr a reruaarmr a plvraaa da maeirna qeu inicaenitmlce anpreedu, de mdoo a obetr o seu sigicdafino. A descorebta, fio fetia plea Uinsvesriadde de Cmabgirde, e levotna ourto tpio de qstueões sbroe o siginafcdio das cosias qeu exprssemaos em froma de prvaalas. Cdaa pralava céntom em si o sue sniaidcfigo inedneemnentdepte da frmoa cmoo amorramus as lerats qeu cõpmeom asse prlaava.

Dislexia e a Música


As crianças com dislexia ou outros problemas de leitura podem ser ajudadas se aprenderem a tocar um instrumento musical. Esta foi a conclusão de um estudo da Stanford University (Califórnia, Estados Unidos). Neste estudo ficou provado, pela primeira vez, que a música ajuda a melhorar a capacidade do cérebro em distinguir entre sons que mudam rapidamente, que é a chave para compreender e utilizar a linguagem. O estudo confirma também a noção de que o cérebro não é um órgão imutável, mas adaptável, o que significa que, com treino adequado, as pessoas podem melhorar a sua agilidade mental.
Os investigadores fizeram o estudo com adultos, entre os quais um grupo que começou a tocar um instrumento antes dos sete anos e nunca interrompeu a prática, vários dias por semana.

Programa de computador para crianças com Dislexia

Um programa de treinamento computadorizado para o tratamento de problemas relacionados à percepção auditiva foi desenvolvido pela fonoaudióloga Cristina Ferraz Murphy, pesquisadora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.
Com base na hipótese de que os transtornos de leitura podem ser causados por uma alteração no processamento temporal auditivo, o programa foi criado para ser utilizado na reabilitação de crianças com dislexia, um tipo de transtorno de aprendizagem caracterizado pela dificuldade para ler e escrever.
Este programa, explica a pesquisadora, é uma habilidade de percepção auditiva que requer o rápido processamento dos estímulos sonoros. A partir de uma adaptação do software americano Fast Forword, a pesquisadora desenvolveu dois jogos de computador, contendo estímulos não-verbais e verbais, para o treinamento auditivo das crianças.

Exercício audiovisual ajuda crianças com dislexia

Uma nova pesquisa sugere que crianças com dislexia podem melhorar a sua capacidade de leitura através de uma terapia relativamente simples que não envolve a utilização de palavras.

Para os investigadores da Universidade de Helsínquia, Finlândia, os resultados desta pesquisa também oferecem informações acerca das origens dos problemas de aprendizagem destas crianças.

A equipa de trabalho, coordenada por Teija Kujala, desenvolveu um jogo de computador baseado em padrões e sons não relacionados com a fala que, além de melhorar a capacidade de leitura num grupo de crianças disléxicas com sete anos de idade, também induziu alterações mensuráveis na actividade cerebral.

De acordo com o artigo relativo a este trabalho publicado no Proceedings of the National Academy of Sciences, estes resultados podem ajudar os pesquisadores a entenderem as razões subjacentes à ocorrência da dislexia.

A dislexia corresponde a um problema no processamento da linguagem no cérebro que, apesar das crianças afectadas apresentarem níveis normais de inteligência, se manifesta no prejuízo das capacidades de leitura, escrita e fala. Quando as crianças não são tratadas, na idade adulta apresentam problemas ao nível da linguagem oral e escrita.

Segundo os investigadores, o estudo mostrou que os disléxicos podem ter problemas no processamento da velocidade, da frequência e da intensidade do som. Estas evidências sugerem que os pacientes podem ter subjacente às suas dificuldades na linguagem um problema mais geral na percepção de sons e imagens.

Relativamente aos resultados obtidos nesta pesquisa, os investigadores afirmam que os mesmos "...reforçam a ideia de que as dificuldades associadas à dislexia estão baseadas, pelo menos em parte, em disfunções nas capacidades ao nível da percepção geral e não numa diminuição específica das capacidades linguísticas."

No entanto, a equipa de trabalho finlandesa lembra que este é o primeiro estudo que demonstra que crianças disléxicas treinadas para discriminar sons não relacionados com a fala podem melhorar as suas capacidades de linguagem. Por isso, entendem que são precisos mais estudos para, por um lado, determinar as razões da eficácia dos programas de computador no tratamento deste problema e, por outro, averiguar a possibilidade destes resultados poderem ajudar pessoas com vários tipos de dislexia.

Aluna com dislexia impedida de concluir exame em tempo extra - TSF 24-06-09


Uma aluna, com problemas de dislexia, da Escola Secundária de Oliveira de Frade, foi impedida de concluir o exame de Português no tempo extra que é concedido aos estudantes com necessidades especiais.
O sindicato dos professores da região Centro fala ainda num outro caso semelhante e responsabiliza o Ministério da Educação, que afirma, no entanto, desconhecer este caso.
A lei prevê o direito a esse tempo extra, contudo e, pelo menos em Oliveira de Frades, a lei não foi respeitada.
O presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (CONFAP) soube deste caso através da TSF e promete apresentar queixa junto da Inspecção Geral da Educação, mas para Albino Almeida a responsabilidade é dos professores.
«Os alunos com dislexia têm direito a essa meia hora e os com necessidades especiais têm provas adaptadas e uma das adaptações é também o tempo. Isso está na lei e lamento profundamente que alguns professores tenham este grau de desumanidade», sublinhou.
«O que pretendemos agora é que esta denúncia seja identificada para que a mandarmos para a Inspecção Geral da Educação para no Futuro garantirmos que aquilo que é a política educativa do Mnistério se cumpra em todas as escolas do país», acrescentou.

Alunos com dislexia ficaram sem apoios - JN 20-05-09


A grande maioria dos alunos com dislexia está sem apoios especiais de educação. Um decreto-lei do ano passado só inclui os casos muito graves, o que está a deixar os pais preocupados, sobretudo, em época de exames nacionais.
Os encarregados de educação de crianças e jovens disléxicos estão agora a confrontar-se com os efeitos de uma alteração à lei do ensino especial do ano passado. A dislexia saiu da lista de doenças que motivam necessidades educativas especiais, de forma automática, como acontecia. A dislexia afecta cerca de 50 mil menores e, segundo a Associação Portuguesa de Dislexia, cerca de 5 mil farão exames nacionais do 9.º ano como se não tivessem qualquer limitação.
Uma encarregada de educação do Algarve, por exemplo, atravessou um mar de burocracia até conseguir um relatório psicológico que comprova a dislexia diagnosticada ao seu filho, logo no primeiro ciclo do ensino básico. O jovem, que frequenta agora o 12.º ano, teve apoio ao longo de todos estes anos, vendo-se agora privado dele.
Num requerimento enviado ao Ministério da Educação, e que ainda não obteve resposta, pede que, pelo menos, seja atribuído ao jovem um júri especial para os exames nacionais do 12.º ano que terá de realizar no final do ano lectivo.
"Até aqui, as crianças disléxicas tinham direito automático a esses júris, nos exames nacionais. E um apoio ao longo do ano, como aulas particulares de reforço. Para além disso, na avaliação das crianças disléxicas, os erros ortográficos (uma das principais características da dislexia), não eram levados em conta e era-lhes facultado mais tempo para a realização da prova", disse ao JN.
Helena Serra, presidente da Associação Portuguesa de Dislexia, com sede no Porto, explica que o Decreto-lei 3/2008, que alterou as regras relativamente à educação especial, deixa de fora a grande maioria dos alunos disléxicos, uma vez que só inclui "casos muito graves". Em Janeiro, a Associação entregou sugestões ao governo no sentido de incluir no ensino especial todos os jovens com aquela perturbação, mas, segundo Helena Serra, "a postura" do Ministério da Educação não aprece apontar nesse sentido.
Para a presidente da APDIS, é fundamental que todos estes jovens recebam apoio especializado obrigatório, para além de uma adaptação das condições de avaliação à sua situação.
Os alunos do 4.º e 6.º anos do ensino básico estão, esta semana, a realizar as provas nacionais de aferição, sendo que, desta vez, segundo Helena Serra, já não haverá júri especial para avaliar a prestação das crianças com dislexia. "Em muitas escolas, os professores estão a aconselhar os pais destas crianças a não as deixarem fazer a prova", denuncia.
É que, se avaliados pelos mesmos métodos usados para as outras crianças, vão ter resultados que os deixarão "muito diminuídos".
Contactado pelo JN, o gabinete de Imprensa do Ministério da Educação remeteu-nos para uma nota sobre educação especial, emitida em Abril, pelo secretário de Estado Valter Lemos, em resposta a uma crítica da Fenprof sobre o desinvestimento neste tipo de ensino. Valter Lemos rejeita o tal desinvestimento e afirma que "todas as crianças que precisem de apoio serão apoiadas". O secretário de Estado diz mesmo que "se existir alguma criança que não tem apoio, e deva tê-lo, as famílias devem contactar os serviços, a escola, o Ministério da Educação, para conseguir esse apoio".